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Mostrando entradas de febrero, 2022

Fechamento

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Morra agora toda tentativa  de tirar de mim o meu sol Não vale nada a calha que jorra minhas lágrimas  Esse barco encerra todo o amanhã  Se há algum bem no coração desafortunado  é o luto não cabem lembranças O grito se precipita no raso refúgio da lógica  Pintem santos com o ocre sangue  coagulado das possibilidades  perdidas Estrelas do crime amantes do assassinato Agora ouço a boca fechada  de sua voz O cheiro pútrido das amarras  que laceram sua existência  Parte sem asceno no cais o lenço à boca não se move As mãos amarradas  O estigma de sua canção  jamais ouvida  Morre nesse abjeto instante Prendam o dia seguinte  com esse momento Chamem o carcereiro Essa perda  a dor sem encanto sem motivo  de um riso Lua enfumaçada  o andor sem carne  nesse férito  Supurada corte Dano sem dono  o mal ativo alegre e cheio de contentamento abraçado aos pequenos valores que enche o banco onde se ass...

Melhor só

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  Só, é melhor A chatice é se estar de si acompanhado A vantagem é ouvir a orquestra interior  Sem quem soluce comente e aplauda assobie na pausa e no intervalo E se encontrar Sem saída a se ver no reflexo do aço das águas trêmulas  o giro das páginas  e o farfalhar da vida  a batida inconsolável  Logo a sombra a se jogar  em uma perseguição implacável  Melhor só que de si desacompanhado

Dia de namorados, de ser valente e usar terno.

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  Ela sem-cerimônia puxou-me as mãos e logo a dizer que não se encontrava mais tempo. Viver, um recital em que logo se punham do piano as mãos por terra. Podia se ter o comércio cerrado, e o café aberto, bolos de milho e pães de queijo sem queijo, e que não importava a estupidez do dono da livraria, a imensa lista de livros jamais publicado no país, o descaso das ruas sem lugar para descanso, e o morticínio quieto dos refrigerantes.  E me mostrou, e me arrastou até a entrada. Aquele que te mostrei, de ouro branco. Nunca havia visto aquela de olhos alegres. O pacotinho foi aberto. O anel de aliança com um rubi encrustado coube perfeitamente. E a dizer nada? Está em fila de banco? Eu lhe disse com a maioria das letras: feliz dia dos namorados. E me beijou e me levou para conhecer o santo Valentin. Cansei disso, do empurra para lá e para cá. Encheu as pacíficas obediências. Eu a carreguei nos braços, fiz cócegas, passamos frente à livraria de mofos, onde esteve a cultura, do l...

Faíscas e raios

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  Faíscas de raios   Remédio efervescente Contra toda alegria  da frieza rústica de umidade Ao menos entrasse a faca de aragem congelada cortasse páginas fincasse no flanco da vontade Gritaria de carnes vestidas e de almas peladas cascas de vozes O verniz queimado de vazia profundidade Tivesse de supetão algum resmungo ácida grosseria O amargor silencioso qualquer rasto da  vida local Não sei que acontece qualquer desacerto da forma a vila perdeu sua maldade Nem se vê a feiura beijada imploro o grotesco amor aquele favor calamitoso medo e horror O bem da exclusão Pedro Moreira Nt 

Carpa do motor batendo

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Se mão houvesse quem me acolhesse Fechasse os lábios cuidasse com ética seja a corrente dentada o bilim desse motor capa da matralha eu ajudava contra desgalha da rota E até ensinava Vai Cai E foi Junta Fraqueza homocinética

O amanhã vem

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O amanhã vem. Cafezinho de amanhãs. E amanhã está chegando, espero esperar por dentro, quer dizer, no presente, esse assim, esse que vem de cada agora. Nesse presente de amanhã. Será um amanhã abençoado. Eu estarei lá amanhã, amanhã juntos. Eu espero com espera de esperança. Tomarei café de manhã. O presente do amanhã que começa. O início de tudo que amanhã é. Amanhã que começa agora. Não aguento mais. Vou tomar um café.

Tudo finda

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tudo finda fecha enrolam o tapete das pisadas e das rebaixadas puxadas É linda até no esquecimento flecha pousa no ar ramo do vento Quanto passamos fantasmas na vida O que me leve pesado dia A hora que a espera me fatiga lá onde quimera se abriga a verei outra vez Corpo e alma materializada na diáfana luz mas sem porquê voar por aí ambos amigos defuntos abraçados beijados juntos Correremos pelas esquinas tremendas atravessadas e perigosas Em seguida faremos loucuras passeando de patins por paralelepípedos

noites

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falha a noite que se deu mal machucando o barco do leste com as pedras escuras de limo e cracas vem na lufada ainda esticada sem perder o ar Velas carregadas de fechaduras ainda frescas colhidas das correntes das almas as mesmas mortas faz que vivem defuntas e dementes Vai outrora entre espumas lançada ao horizonte fisgando presentes Outra cara do céu que apunhalado sangra sua canção de entardecer sem quem desse mal se possa entender E me vou no embora longe da estupidez fria dessas almas vazias Sem retorno ao curral da eleita pestilência Venha temporal Tempestades prometidas a varrer da terra essa ignomínia

Por um fio

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O trem passa, isso que digo. Não tem de passageiro nem para Rio Branco, o político tirou do povo esse direito. Mas é o que se diz. Trem passa. É como as estações. Estaciona ali um certo jeito de viver, depois muda. Passa. A vida por um fio,  emperrada à faca.  A gaveta da cozinha, fecha. Não atrai. Disse outra vez, repito para que não jogue o sangue fora, guarde a hora, e viva.  Alma de guardados, Pense, dizia, lembra bem,  se morre hoje; quantas vezes amanhã.  Pense. E mais a mais isso passa. O mal vai encontrar por esta estrada. Vamos a pé. Ela disse luzindo a face de aço. Completou num espasmo: No fim... E caindo o peso. Cortou o ar em pedaço.s Ninguém tem culpa.  Ele atravessou os olhos da janela em cacos faiscantes Via algo que o desesperava. Trincou os dentes. É tarde.  O carro novo em folha na garagem, tanta bobagem.  Estamos presos. Desse jeito que é. E me telefona ao invés de enviar recado. Nada mais que isso. Suspirou, aposto. Fosse u...

Tempestades

Sempre distante Passo longo Longe passar pesado vazio Ausência alimentada Outro dia será passado cheio arrastado e deformado Nunca retornar respira a oleosidade anda a manhã fica preguiçosa dorme no mesmo lugar está agora abraçada com magro futuro Fosse dar uma volta na quitanda mexer com diferentes novidades Inerte essa pamonha devorada por mesquinha esperança coisa ralada raspa de nada Quando quando quando quando muito gerúndio para poucas vontades

As parcas

Sinto um troço nas velhas fiam o ferro das grelhas Dizem viver a morte uma afia o fio que mal fia Outra crosta tricota o aramal a mais de antes assa a carne da lida É para ter consciência de classe Passada mal bem perdida filetada Tudo que é coisa se evola no ar incluindo o conceito que vai na franja do manual bem tostado As três quimeras da má feitura fazem a revolução das tripas ao coração Eu as vejo sorridentes de tríptico poder Um de comer o olho do outro Bolinhas de malmequer o do meio negocia com a agonia o último que é mais cruel escraviza Cataclismo não é andar de bicicleta usar coleira ou crachá Terminismo enfeitado com argola no nariz ou remédio monetário para a engorda Solipsismo ou autoritarismo com outdoor de pano amarrado no cano Condicinario fantaslhonario Ignorario desirmanario imbecilizario Populismo parece o test-driver involuntário proletário que não está na receita de bolo do cozido partidário Sem dúvida come a sombra devocracia devoracia desmocracia é o ape...