Fechamento
Morra agora toda tentativa de tirar de mim o meu sol Não vale nada a calha que jorra minhas lágrimas Esse barco encerra todo o amanhã Se há algum bem no coração desafortunado é o luto não cabem lembranças O grito se precipita no raso refúgio da lógica Pintem santos com o ocre sangue coagulado das possibilidades perdidas Estrelas do crime amantes do assassinato Agora ouço a boca fechada de sua voz O cheiro pútrido das amarras que laceram sua existência Parte sem asceno no cais o lenço à boca não se move As mãos amarradas O estigma de sua canção jamais ouvida Morre nesse abjeto instante Prendam o dia seguinte com esse momento Chamem o carcereiro Essa perda a dor sem encanto sem motivo de um riso Lua enfumaçada o andor sem carne nesse férito Supurada corte Dano sem dono o mal ativo alegre e cheio de contentamento abraçado aos pequenos valores que enche o banco onde se ass...