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Mostrando entradas de noviembre, 2025

Cinta no pescoço

  Veio em casa um tal desconhecido a fazer-se de velho inimigo Tinha lá dois garruchões empedernidos de pólvora molhada Era bucha Parava à porta, esmola de mão esquerda a pedir obrigação Sei bem lá o que fazer Como ajudar Se me matava ou esperava a faísca secar Mandei entrar Demorou cabineiro Atalhou um talo grasnado de palavra Remendou um quieto no giral  Olhou de quarto Amassou lento os pés de pena Fiz abancar Perguntou das horas Arrumei a conversa Passei o café e lhe entreguei o ouro - pão preto Comeu pelas beiradas olhava-me no peito A pochete de couro sabe mirar? Não pude mentir, na infância meu irmão apostava, eu acertava na tabuleta; ele ganhava nunca errei um tiro Chateou-se de supetão macio Cacarejou com as galinhas Deu um esgar sem meio olhar Fez de riso E carpiu Vou dizer o quê? Má verdade assusta o covarde Tirei o peso da pochete de couro  Descansei o pesar. Enterrei no quintal o esquecimento.

Vento entornado

  O vento veio de longe Derrubou sonhos Mudou pensamentos  Entortou as certezas Levou vidas Feriu muitos Trouxe medo Invisível em sua tormenta Passou enlouquecido pelo vazio dos campos Atravessou os planos Subiu os morros Correu pela água empossada Assobiou nos viadutos Arrebentou os canteiros Veio embora na chuva noite adentro Derrubou a luz Quebrou casas Virou carros Espantou os bichos do curral Revirou a terra socada E desapareceu Sem mais ser visto até vai ser guardado pelo passado Deitado ficou no esconderijo solesmático Ninguém veio pedir voto Era a mudança do clima O aviso das árvores perdidas Passa brisa alguém chora