Cinta no pescoço
Veio em casa um tal desconhecido
a fazer-se de velho inimigo
Tinha lá dois garruchões empedernidos
de pólvora molhada
Era bucha
Parava à porta, esmola de mão esquerda a pedir obrigação
Sei bem lá o que fazer
Como ajudar
Se me matava ou esperava a faísca secar
Mandei entrar
Demorou cabineiro
Atalhou um talo grasnado de palavra
Remendou um quieto no giral
Olhou de quarto
Amassou lento os pés de pena
Fiz abancar
Perguntou das horas
Arrumei a conversa
Passei o café e lhe entreguei o ouro - pão preto
Comeu pelas beiradas
olhava-me no peito
A pochete de couro
- sabe mirar?
Não pude mentir, na infância meu irmão apostava, eu acertava na tabuleta; ele ganhava
- nunca errei um tiro
Chateou-se de supetão macio
Cacarejou com as galinhas
Deu um esgar sem meio olhar
Fez de riso
E carpiu
Vou dizer o quê?
Má verdade assusta o covarde
Tirei o peso da pochete de couro
Descansei o pesar.
Enterrei no quintal o esquecimento.
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