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Mostrando entradas de abril, 2024

Combinations

  It is not the imagination allocated around in its mind combination, but its quality, in a profound sense, is always raised. In this sense, mathematical formulas and poems can have greater complexity than others think. I  love it when the numbers are rayn; see square roots and curves in pentagons without results, without bombs. 

Deixarei

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  Deixarei minhas malas de viagem as coisas usadas bem guardadas abandonarei as minhas certezas atrás da porta ficarei na saída a espera de mim enrolo o tapete manchado de passado esqueço mesas e cadeiras os bens desavisados que pairam no ar das reminiscências faço de minhas vontades as perdas Ganho a estrada, o voo sobre as escadas e a luz

Meu coração enlatado

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Deixei meu coração numa lata Foi feito em compota Levado da fábrica ao mercado Figos doces Meu coração eram tantos nele Movido de todos a se debater  Viver de corações era morrer  Pequenos brasileiros sem opinião de direitos Corria deles o sangue açucarado  A bombear os tentos de perder-vencer Eram belos ricos de promessa

mais noite que dia

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Chorar até chover correr de desmaiar Deixar suas camas deitadas Chegar à padaria com pão café manteiga  A estrela que vai e a mesma que fica Tudo se foi  Tudo que sofria Como é bom ter de viver  mais noite que dia Acordar sem fim no meio do meio dia andar à toa E te chamar de vez Como é bom ter de viver  mais noite que dia Esquecer que ontem foi tarde que já passou Quem desamou amou Quem ficou já andou Atravesso a malha fina do veludo escuro Como é bom ter de viver  mais noite que dia A nua no céu e você de lua permanecer de alma crua Ir e sorrir fugir da rua Como é bom ter de viver  mais noite que dia                                 ####### Livros de Pedro

A esquecer

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  E me dá sua mão como eu fosse a tormenta o choro da noite o quieto retorno das mesmas palavras E me pede carona como fosse um estranho favor do desconhecido de tanto adoecido na rispidez da passagem E fala para que não ouça nada diga do dito o cheiro humano caleidoscópio maldito flores mortas outra vez E conta de mistérios mas são obrigações deveres antes compridos retinas do redivivo alarme da existência E canta para injuriar para não descansar um segundo ter o gosto na face do mundo o partir que é tão ficar E me leva que não brigo que corro indo devagar E me abraça esquecido e me faz esquecer e me faz lembrar a chuva que se lamenta em cair deitar a poça e a descida e o rio que vai ao mar E me chama e me fogo o calor de sua presença essa transparência E me empurra no anoitecer que é o amanhecer distante embalado no corpo da vida                                           ...

a tudo

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ao ordinário dia a este crime aviltante pavor do sono sem dormida à carne corroída ao grito vexante de um chefe interesseiro ao fedor que é mais o perfume civilizatório esse tempo feio à roupa e seu furo que a consome nudez das pragas não ditas jamais reveladas enguspidas no trâmite burocrático da raiva à luz que se apaga a tudo que não foi dito nem feito ao que não se faz a essas nuances do amanhã que dorme em seu esconderijo distante de qualquer despertar A tudo que já cansei antes de dizer à minha insondável preguiça de existir O estado de pequena permanência E mais ainda do que desejei ter desejado dos sonhos que não tive as perdas minúsculas que completam a vastidão de uma vida sem-fim deixada sem motivo na prateleira dos usados de ganhos sem promessas e prêmios do que foi levado roubado em pedaços a esse tudo que me faz dormente  a sustentar o peso dos enganos e as certezas limites do agora                         ...

Calça velha

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  calça velha é o amor vai se arrumando os defeitos ficam bonitos o que podia ser puído desgastado  tem um banho de chuva se vai ao baile conservado pescar ou deitar no quintal revive passos andadas soltas lave na lichívia e não é o mesmo tão novo passado e amarrotado veste a vida direito isso que bate no peito

Sobre os Fulni-ô

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  entraram sem nada dizer abaixaram o olhar estavam concentrados tiveram tempo para se restabelecerem da última magia cantaram na voz deles o que tinham para nos  dizer tentaram a nos mover no modo ocidental acenderam desta vez a fogueira o ritual das palhas poucas da linha da brasa até o fogo que se ergueu imenso luzes dormidas que despertaram não havia engano sabíamos que ocorreria algo além dos brindes das lojas de refeições rápidas ouvimos nos movemos e cansamos um cansaço de fumaça de luz demoramos até quase chegarmos ao meio dia para despertarmos e levantamo-nos leves e pesados não sei que era