a tudo
ao ordinário dia
a este crime aviltante
pavor do sono sem dormida
à carne corroída
ao grito vexante de um chefe interesseiro
ao fedor que é mais o perfume civilizatório
esse tempo feio
à roupa e seu furo que a consome
nudez das pragas não ditas
jamais reveladas
enguspidas no trâmite burocrático da raiva
à luz que se apaga
a tudo que não foi dito nem feito
ao que não se faz
a essas nuances do amanhã que dorme em seu esconderijo
distante de qualquer despertar
A tudo que já cansei antes de dizer
à minha insondável preguiça de existir
O estado de pequena permanência
E mais ainda do que desejei ter desejado
dos sonhos que não tive
as perdas minúsculas que completam a vastidão
de uma vida sem-fim
deixada sem motivo
na prateleira dos usados
de ganhos sem promessas e prêmios
do que foi levado
roubado em pedaços
a esse tudo que me faz dormente
a sustentar o peso dos enganos
e as certezas limites do agora
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Charles

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