se invento que sei
Se invento que sei, se o argumento bate na barriga das prescrições, se afundo o joelho na cara das certezas, se ponho em consideração os séculos passados, das dúvidas empanadas no forno das conveniências, se uso a lábia para espirrar tomate na lógica racional, se assombro os mortos destelhados desse mundo com empírico conhecimento, se me faço de jumento e me estrangulo feito avestruz e me domino com toda estupidez, se não percebo a vida do bicho, se as minhas crenças varíolas fazem almofadas na pele contra ressentimentos, se aponto o dedo feito lápis e escrevo nos olhos da dúvida as correções, se nem questiono o assunto porque não duvido da inconsciência, se subo no potreiro quando as patas passam dilacerando o chão em movimento, se me jogo no precipício porque é raso o vento, se quebro a linha dos significados apenas por ficar injuriado com a verdade, se jamais provoco novos sentidos e sigo as ordens das direções arrumadas, se aceito que assim sejam, a natureza das coisas ...