se invento que sei






   Se invento que sei, se o argumento bate na barriga das prescrições, se afundo o joelho na cara das certezas, se ponho em consideração os séculos passados, das dúvidas empanadas no forno das conveniências, se uso a lábia para espirrar tomate na lógica racional, se assombro os mortos destelhados desse mundo com empírico conhecimento, se me faço de jumento e me estrangulo feito avestruz e me domino com toda estupidez, se não percebo a vida do bicho, se as minhas crenças varíolas fazem almofadas na pele contra ressentimentos, se aponto o dedo feito lápis e escrevo nos olhos da dúvida as correções, se nem questiono o assunto porque não duvido da inconsciência, se subo no potreiro quando as patas passam dilacerando o chão em movimento, se me jogo no precipício porque é raso o vento, se quebro a linha dos significados apenas por ficar injuriado com a verdade, se jamais provoco novos sentidos e sigo as ordens das direções arrumadas, se aceito que assim sejam, a natureza das coisas que trincam horas esquecidas, se não entendo a ciência mas descanso lá os cotovelos, se me oponho antes que digam o que não sei, se me odeiam por amor ao si mesmo, se sou contra a chuva e amo tempestade, se mais quero o que atormenta, se me encontro apavorado na cara do indigente e lhe digo onde está o elevador, se como o mito e preconceito, se jogo fora o ouro das cavas, se o edifício novo é antigo na forma e a sombra é velha, se está na vista que os sapatos tropeçam e nunca pessoas, e se me escondo no mais profundo asilo, e jamais minto, se penso o que sinto, se vou consigo sem estar comigo, se a maioria berra, esqueço a cantoria, se vou à lua porque não deixo a terra, se julgo cabeça vazia, se o eco ressoa desde ontem, procuro morrer, me enfiar no campo, dormir no veio da fonte.










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Pedro Moreira Nt

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