ela se foi foice

 





ela se foi

foice

cortou o espinho

levantou poeira

rapou o mato

capino a enxada

desembestou

se mandou

zarpou para lá

subiu o morro

desceu a ladeira

ergueu o topete

adornou o tempo

se avistou naquela paragem

revisou o avental

bateu os canos

arremessou o gambito

afundou o pé

pulou a lama

caiu no mato

cuspiu no serrado

fechou a fivela

e se deu de vista na tarde

esqueceu a mão

mal se despediu

andou no ar

afrouxou os ferrolhos

destancou o açude

enviesou na ponte

levou sete-sangrias

gritou o vento

arremeteu esporas

cavalgou na curva

rendeu notícia

esperavam sua ida

deixou as horas

escondeu o dia

e me amou no coxo de sal

jogou açúcar na frigideira

atreveu medir as pedras

a cada passo

moveu o vestido

assentou a mala

cargou nas costas

desmentiu o riso

chorou pitangas

voou cumeeira

foi perto

nivelou o macadame

inventou uma trilha

fez a picada

desafinou o timbre

fingiu ficar

bateu as palmas

suou nas canelas

rasgou o sítio

se meteu no veículo

travessou a cidade

rodou os pinos

atirou o bagaço

mordeu a casca da laranja

enfeitou a orelha

piscou três vezes

saiu que ne foguete

veio no coice

trotou a potranca

bateu nas ancas 

e se jogou no meu peito

nem se foi

isso se deu

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