Dia de namorados, de ser valente e usar terno.

 



Ela sem-cerimônia puxou-me as mãos e logo a dizer que não se encontrava mais tempo. Viver, um recital em que logo se punham do piano as mãos por terra. Podia se ter o comércio cerrado, e o café aberto, bolos de milho e pães de queijo sem queijo, e que não importava a estupidez do dono da livraria, a imensa lista de livros jamais publicado no país, o descaso das ruas sem lugar para descanso, e o morticínio quieto dos refrigerantes. 

E me mostrou, e me arrastou até a entrada. Aquele que te mostrei, de ouro branco. Nunca havia visto aquela de olhos alegres. O pacotinho foi aberto. O anel de aliança com um rubi encrustado coube perfeitamente. E a dizer nada? Está em fila de banco? Eu lhe disse com a maioria das letras: feliz dia dos namorados. E me beijou e me levou para conhecer o santo Valentin. Cansei disso, do empurra para lá e para cá. Encheu as pacíficas obediências. Eu a carreguei nos braços, fiz cócegas, passamos frente à livraria de mofos, onde esteve a cultura, do lado do café que haviam fechado, andamos por fim a encontrar saída. A biblioteca fora transferida para algum esconderijo local. O que fazer? Matar românticos? Terminar o namoro. O anel estava preso. Não havia ao menos uma única placa a mostrar como se pode sair da cidade. Como acontece em filmes de faroestes, desses de guerra, alguém parou um carro e nos deu carona. E fomos à livraria e tomamos café com brioche e sonhos, e trouxemos livros e pudemos nos conhecer, e nos beijar e nos amar. Sim, casar, tínhamos o mapa, sabíamos sair da cidade.

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