Muito Sol
Muito sol. Não dá como paralisar as ondas gelatinosas. Nenhum gelo; ao menos iceberg viesse. Balas de hortelã de cobre e latão enfiada na carne da areia, vejo isso desviando espumas ácidas. A coisa comum aparece. O canto morno.
Tanta festa no dia desconhecido. Areias sórdidas se amontanhando, rindo, enchendo os bolsos.
As nuvens fedorentas de sangue seco, deterioradas roem o infinito. A mesquinhez açucarada da violência está bêbada aos golpes. O dia morto atrás do chumbo grosso. Alguém, agorinha mata um pai. Ajoelha agradecendo vantagens. Almas miseráveis, bem vestidas passeiam arrastando cadáveres. Alegria extenuante de batucadas de glórias, gritam: vencemos, riem até cair a saliva em manchas de muco lançados, todos muito atentos aos ganhos imobiliários, enchendo a poça imunda das certezas planas da existência. E já morre outra vez o amanhecer e as esperanças escalvadas.
Comentarios
Publicar un comentario