Frente aos teus olhos
Quando teus olhos são calibres. Ouvir os gritos dos animais. Eles são prisioneiros, mas vivem para comer pedaços de suas possibilidades. Em seu intestino devoram. São assim, como jamais possam entender. Sinapses que estrangulam suas mentes. Defecam e o comem. É o modo como se alimentam. Agem. E isso é o que fazem, devoram o seu entendimento. A única possibilidade de uma mente devotada às fezes é o ato. Esse é domínio animal.
Quando atrás dos passos que deram existir um portão que pudera ter aberto sabe-se que não há marcas de pés, do que foi. Saberão que jamais veio do mundo das portas fechadas.
O sentido da vida não tem retorno.
Atrás de todos um portão fechado.
Relógio, e o tempo nele marcado não é do relógio. Não se prende o tempo.
No espaço o tempo é coalizão. Matemática de acordos, arranjos e progressões, a racionalidade controlada e dirigida para um fim previsto. Entenderão que estão correlacionados também submetidos.
Assim vive o animal, como o abstrato sentido matemático de um tempo preso que atua para uma meta a ser cumprida em suas vidas. A função lógica do animal responde ao pretensioso querer ser.
Porém a infinita obrigação, mando, dever, autoridade animal é superior. O animal não pode ser expulso. Não há veneno que mate o animal que não mate o lugar onde vive.
Como um guarda, o carcereiro que cuida do preso, também é prisioneiro e todo prisioneiro, feito o animal é seu vigilante. Necessita alimentá-lo, mantê-lo, vigiá-lo, cuidá-lo, e ao mesmo tempo aceitar as fezes que deposita.
Cheio de fezes do animal caminha o vigilante homem, o grande mestre da merda que cria.
Magro, pesado, pequeno, gordo, imenso, algo, baixo, frágil, lento, rápido, forte, decidido, calmo, bom, mau porém louco segue a arrastar o casco com seus porões carregados, cheios.
O animal grita em suas vísceras. Exige o que quer que faça que o faça tal como imprime a sua lei.
Por isso os portões que vêm atrás estão fechados. Jamais foram abertos, nunca passaram por eles viva alma. Como o animal que domina, uiva-se.
Grita um desejo que não existe.
Não há escolhas para o homem demarcado no tempo do relógio.
No orgulho de cumprir o mando.
Todos sabem que repletos de fezes, abarrotados, como o animal mostram-se animais.
Chantageiam, buscam alguma honra, uma prova qualquer de que valem algo, que possuem sentido.
Defendem os portões no deserto de suas consciências.
São o exército que exala as suas próprias existências.
Carregam abstrações, subterfúgios e morrem em vida feito dúvidas. Isso se derrama sobre os pontos de coalizão de sentidos provenientes de valores construídos. Caráter e ética ou a rendição do espaço ao tornar-se tempo. Acima e abaixo frente a teus olhos.

Comentarios
Publicar un comentario