O passeio, quando permitirem

 

   O passeio, quando permitirem

   A ida de sempre volta, cerzir

   memórias

   Estofar pensamentos

   E se abandonar 

   deixar que vá para longe

   com todos os criminosos

   os mais amados sentimentos

    rir ante ao assassinato de si

    a perda brutal dos sonhos

    Voltar ao peso de cada passo

    Banhar no rio sujo o sangue

    esperar que lhe roubem qualquer

    alegria 

    Entrar no campo 

    bosque das sombras

    Atravessar todo o perdido

    E morrer alegremente

    que é mais fazer desaparecer

    o cadáver do que esquecer

    todo o horror dessa existência 

    A bondade tem na lapela um preço

    valor monetário que só pode ser

    recebido mensalmente com a tortura

    A coisa falante e intestinal

    só entende a existência do outro com o sofrimento

    vigília da miséria

    Certeza do melhor não passa do fundo sujo do bolso

    Em bando na banda desafinada de bandidos

    E sabemos que Deus não é bom

    quanto for espelho do mal

    Os mortos exalam o seu perfume 

    Ainda vivem

    




Pedro Moreira Nt 





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