A voz de um coração interrompido


A voz de um coração interrompido

Bar de partidas  

Dedo medido 

Corvo vigiado

Coisa sombria

Ninguém faz nada

Ficou o nome do garçom 


Ninguém!

Usa patins

Trás uma fritura

Matasempre

Pode ser meio quente

Borrachinha por dentro 

e escroques por fora


Vai de caipira?

Caipira de alma fria

Calma gelada

Bruta no gelo

Esperta?

Temos a ladina


Rica de posses fermentadas

Amarela e cospe a champinha 

Nervosa que salta espumas


Pensamentos afetivos

Atos efetivos


Tarde amar

Prateleiras com coleções de picles


Não se tem forma

Tamanho


O assunto que não morre

em um conceito foucaultiano

com novas hermenêuticas de fundo marxista 


Me perguntam sem me ver

E a guerra?

Está pintada

Não ia trocar por uma forde conversível

Engano

E quem me fala

quebra um copo

Espremeu os cacos entre os dedos

indignado 


Dois copos?

Um só 

Não vai dividir?

Com quem?

As pessoas aí no celular 

mentem importância 

sentam à mesa e dão umas

bicadas rindo


Rindo?

Esgar 

Um copo

Egoísta

Eu não sou

É o nome da cachaça 

quer uma?

Dois copos


Vai um tabuleiro de xadrez?

Prefiro dama

Aturdida?

feita de palavras

come de esquerda 

deita o guardanapo 

Não atravessa 

Nem mede


Se quiser posso ver uma leide

Inglesa legítima 

Tipo passeata terra plana

Da casa bourbon com guaraná?

Sem máscara 

Já trago

Sério?

Espera sentado 


Ninguém foi embora

Algum apareceu

 

Aperta um estalo com a boca 

E com as sementes dos olhos

solta o hálito

Limpei a casa


Ele não bate


Duvida?

Exalava a creolina gessi 

Abriu e espalhou pó na tábua 


Levantei os pés 

Saí demasiado cheio 


Nada me acenou 

Sem-porquê me chamou

com um sinal de dinheiro 

Alguém de passos largos

Muito curto


Conheço grandes taxas

pessoas curtas dos altos partidos 

desviei do paredão 


Jogavam balas em mim

motivos doces

Vaiavam em ô 

bebedouro-soluço 

Ô-ô-ô

Esqueceram meu nome 

Eu esqueci 


Andei para não chamar atenção 

Dancei para que nenhum me visse

Cantei para que pudessem cochichar

Escrevi um poema na gordura do balcão 

para que tivessem razões 


Fora às tintas

Fora ao cardápio que fede a menu


Dá de se ouvir o silêncio

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