Ameaça

 


 






peso na atmosfera

frio de curva

entra sei quê de alma penada

Arrasta porta

bate janela

uma gota de ar cai no pacote plástico

estrondo distante

duas cargas encontradas

sem porquê ameaça


Levante de poeira

uma mão de eletricidade

é plantada nos cantos da casa

tudo rápido na lentidão do tempo


Ouço outra vez alguém mexendo na sala

Quem?

o velho se move na cadeira

dor no dedo quebrado

sinal de temporal


O vento uiva para o espetáculo da vida

cheiro de café

deita fumaça

parece luz prateada de faca 

a sombra relampeja


É o bicho

má visagem

Ergue folhas

chuta o capim

zune o arame da cerca


Corre!

Lá vem tempestade

quieto de mata

galhos e poleiros cheios


Na mangueira chegam mugindo

reclame de berrante

O cão debaixo da mesa

Que foi?

O grito não chega

o muro oleoso de transparências

dobra o silêncio


Olha o céu

a chuva sobe para dentro das nuvens

Sentará granizo

quebrará no meio

as belezas

Vai!

Água suja

de limão 

envenenado

vem da cidade

a poluição


nada limpa nada cuida

estraga




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