Temos sofrido muito
que as tardes
se perderam antes da caída do céu
lá onde as verdades dormiam
magníficas tempestades
com lindo terror de fim de mundo
Viestes para minha vida como um anjo de aladas cartilaginosas
e vivemos em contínua e delicada separação
Sempre foi assim
prova da bondade
Temos sofrido muito
muita dor sentimos
nos tocamos demais
falamos sem vírgula
Há dor em quantidade
e nem se pode amontoar em qualquer canto da casa
Usamos a relva que pisamos
Não
Não é assim
o egoísmo prevalece
o bem estar
a deliciosa paixão
de se alimentar sem necessitar dividir
Vejo pobreza em teu espírito
posso entender
que quase fico contente
tantas vergonhas
nunca mostradas
Nos teus olhos a ingratidão
não sei
não sei como te ajudar
porque ainda estou aqui
ainda permaneço em ti
acho que gosto da infelicidade
E de minha ausência
uma foto tivesse
que bem lhe causasse
A minha descida
Não
Não é assim
o egoísmo prevalece
o bem estar
a deliciosa paixão
de se alimentar sem necessitar dividir
Prefere a angústia diária de meu beijo e abraço
proíbe a verdadeira alegria da minha iminente perda
porque morro
Ó, quanta falta de crueldade
Ó, beijo o lixo amado da cidade
Meu coração dilacerado por viver amor
Sofremos muito e terá a vingança
Arrependimento
é o que posso dizer sobre as tristezas de nossas mãos entrelaçadas
Não sei que há contigo
não me traíste mais
nem recebo um gracioso escárnio
ao menos antes de dormir um cuspe na cara
Não
Não é assim
o egoísmo prevalece
o bem estar
a deliciosa paixão
de se alimentar sem necessitar dividir
Ó, quanta falta de crueldade
Ó, beijo o lixo amado da cidade
Meu coração dilacerado por viver amor
Sei que temos sofrido muito
por estarmos ainda perto
é difícil ir para onde não existe lugar
mas difícil é sofrer ao seu lado
o esplendor que podes dar
A minha alegria de sumir
viva em ti por me ver partir
quanta felicidade teremos com toda força de nossa
angústia
Não
Não é assim
o egoísmo prevalece
o bem estar
a deliciosa paixão
de se alimentar sem necessitar dividir
És ímpia como uma tábua de passar
Quantas vezes estive longe e negaste um sorriso?
Quantas vezes o bom mundo que me prendeu e enganou
E os rompantes das maldades limpas e coerentes?
Todas que com doçura vivi
Deixaste vir à tona
a submersa imoralidade
Ficava feliz que jamais soube de ti
que jamais fui leal
como naturalmente vivem as pessoas que se amam
Ó, quanta falta de crueldade
Ó, beijo o lixo amado da cidade
Meu coração dilacerado por viver amor
Saber afeto que o respeito cuida
trazer a calma do sangue nas mãos
vigiar a insensatez na crueza mórbida
da inveja
Enfim ser bom
Não
Não é assim
o egoísmo prevalece
o bem estar
a deliciosa paixão
de se alimentar sem necessitar dividir
A farsa humana de nua fraqueza
Se um dia despertar em ti a verdadeira razão da existência
e pudesse me matar com uma facada
atropelar na esquina
não sei
não sei como te ajudar
porque ainda estou aqui
ainda permaneço em ti
acho que gosto da infelicidade
essa nossa iniquidade
Olho os lustros raso de tuas crenças
deixastes tanto abandonado
que para chegar ao topo de sua bela vilania
não sei que devias
não existe elevador ou escada de tecnologia
que alcance a baixa vivência
e queria tanto te alcançar subir
até o fundo
extender a mão
Lembras
quanto sorrias
quanto me mal dizia
quanto a beleza imperava
a miséria alma que possuía
não sei
não sei como te ajudar
porque ainda estou aqui
ainda permaneço em ti
acho que gosto da infelicidade
E tuas amáveis e ríspidas grosserias
Ó, quanta falta de crueldade
Ó, beijo o lixo amado da cidade
Meu coração dilacerado por viver amor
E se a tormenta cai porque abrupta antecipa
a dor que sentirás
se te afoga graciosamente entre ondas de pústulas
e veleidades
E se os infernos de onde viestes saltitante
pudesse merecer-te
se ao menos aos demônios
E as púrpura venenosa do agora
alcançasse a tua nobreza
o teu nada a fazer diário
a tua escassez de sentimento
E se tu tivesses o gosto amargo
das vitórias aquelas de assassinato
algo como viva pudesses entender
uma letra ao menos
E se tu erguesses as bandeiras da pouca fé
que mundo melhor a teus olhos virias nascer
rindo amavelmente ceifando vidas alegremente
embrutecida flor do caminho
E se pudesses na prostituição de teu comedimento
ousasse deitar com os vermes levados por fezes em seu coração intestino
quanto fulgor o universo saberia nascer
não sei
não sei como te ajudar
porque ainda estou aqui
ainda permaneço em ti
acho que gosto da infelicidade
Não
Não é assim
o egoísmo prevalece
o bem estar
a deliciosa paixão
de se alimentar sem necessitar dividir
Ó, quanta falta de crueldade
Ó, beijo o lixo amado da cidade
Meu coração dilacerado por viver amor
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