Queda
se me derrubassem do avião como sobreviveria
mas com pára-quedas de cabelo desceria suave e calvo
se o vento soprasse e desse uma rajada nos buracos de tiros de meu corpo como suportaria
a canção fria cantada como uma flauta que vaia em ser mal tocada
se me explodissem novamente como me encontraria
em pedaços a me juntar como um pássaro
como milhos debulhados
se me deixassem sem ganhos, sem provimento e à míngua por toda rua nua à sombra da ruína da cidade como
eu nem me preocuparia com o sofrimento sem lamento
seria o socialismo, a cristandade de mãos dadas, a purgação de nada, o liberalismo construído de identidade corroído
por ser assim tão vil, tão quantos mil, normal e comum.
e se nem pudesse dizer nada
nem diria nada que nem se ouve a voz fechada
e se me lembro do medo que se consome
em lamento perda e morte como
desenho esqueletos de palavras
abro a página marcada
e se tudo tivesse como poderia
se nada se tem do que se desconhece
se me detivesse um instante qualquer para voar como
me tomaria
em goles curtos a juntar toda alegria
e se a vissem passar com vestido de gala como surgiria
o baile em que dançava
em minha vida a todo dia
e se viajasse outra vez para ver as espumas do mar como ficaria
estatelado em estrela
e da areia a retornar ao caldo precioso de céu líquido
se me levam a um lugar distante
e me deixam
como espesso é o tempo
abro aquele livro e dou risadas
pmnt
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