chove agora, aqui em casa
o cão ladra para os canos gelados de água que vêm do céu
da calha
descem aquelas lanças que cravam coroas na terra
esparge lua e som de agonias
o brilho mortal de prata
tudo igual no lugar das faltas
e esse sol que derrete as cortesias
lágrimas de tempestade
choro de piedade
metralhadora no zinco
borbotões laminados que se congelam no ar
onde caem e onde flutuam
as gotas sobem para encher os olhos dos deuses
o gramado imerso
flores derretidas
fogueiras molhadas
causa pena
insetos navegam para o infinito comum
passam os portões
se debatem nos ferros
o vento esbarra no vão das passagens
e uiva
chicotes ferindo os muros
arrastam as latas
levam os nomes das coisas abandonadas
entulham os cantos
continua sua fala
choraminga que foi por amor
o estômago ronca no horizonte lotado
a carne pelada
pelos jogados
dilacerado sentidos
vazio de tempestade
relâmpagos de falas molhadas
baba cristalina de verdades
falhei
devia ter feito um dique
amarrado em laços um tanque
feito um lago
mas transborda no ladrão das vontades
o aguaceiro depois de um tempo fede
gelo na cara nevada
os fios que tecem a noite na umidade
segue a cusparada
raiva indomável
nem lavando
uso indefinido
prazeres do umbigo
e eu sabia que o sabiá
tem bico
me conta que estava encharcada
chegou de chinelas soltas
trazia um vaso de flor
cravos
vai ver que por mim era amor
#######
Pedro Moreira Nt

Comentarios
Publicar un comentario