nem digo do jazigo





 




faz tempo que não vejo


o seu jazigo


e nem digo


que morreu


porque vive 


e nem sei onde se meteu




Só sei que acertei

de tudo que errei

em não te ver jamais


roubou queimou jogou

pensou bem

e se vive com alguém

é assim o que vai e o que vem

nada se tem de quem se amou


nem me lembro do teu retrato

só quando te vi no ato

lua nua na rua

na suja poça do buraco


mas tudo está além

faz oração de vida 

amém

não se deve nada a ninguém


a memória engana

ainda mais se queimou cana

e se deixou a dor debaixo da cama


porém, hoje é fim-de-semana

vou da cidade me mando dessa falência

largo mão da penitencia

fazer o sermão da existencia


não entro em fila

para comer doce de gila

sou um cara da vila


meus amigos me esperam

sinuca e alegria

longe do cemitério


ver tremer o couro de pudim

e umas e outras para amar outra vez

o que sobrou de mim


É assim



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