horizonte de ponta para o céu

 




horizonte de ponta para o céu

vejo o fim do mundo no dedo
unhas cortadas

uma caixa acústica anuncia
um abandono
amor que se foi

do outro lado
chega o dia tarde
alguém anuncia que existe
aparando a grama

vendem sonhos
recheios de plastilina

o poste não se move
é técnico e é technológico
obediente
o homem chora nas paredes lisas
nem acende a luz
nem diz
coisa alguma
silencio de fios e concreto
fincado nas veias da terra
dorme acordado

acabou o simbolismo

portão aberto
os cães na cozinha

amanhã quando for bem tarde
vou lavar os pratos
deixar vazio
limpar a memória dos restos
farei barulho
tilintar de festas
despertar os morcegos que rondam
a fome
e me jogar na comunidade dos tortos

e a rua
posso dizer dela nua
vestida de alimento
de cimento
algo gosmento que seca o andar
cansar de ficar no caminho de tudo certo
sei que longe será perto

nesse dia pedirei ao santo
que me dê o seu canto
a me cuidar
sem perder o raio esbelto da flor do dia
e morrer de espanto

mais tarde
depois que amanhecer ontem

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Pedro Moreira Nt

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