amor sem motivo


 



se teu amor batesse em mim

seria uma porrada

sem efeito

sem amor

é virtual

cheio de pronomes


é como buscar um lugar que tem um nome

e nem existe

ninguém pega a coisa nomeada

nesse vazio cheio de normas

regras

coisas do tipo aperte aqui

faça assim


tão bizarro que se pergunta: que forma você quer?


é tão vão vago

que mal se diz o não dito

e se entende nada


o que sobra?

meio que enfiar na carne um prego

ferir como que alguém dissesse

olha, você está de castigo

e isso é amor?


mais perto como que mais distante

longe dos quadros adulterados

tão benfeito se diz do malfeito


se cai a energia

se falta água nos olhos

o buraco da semente já floresceu

e morreu antes do perfume

a beleza estagnada


quase tudo que é nada


e se me ama

se amor existe

nada em palavras no seco

das regras


agora pode agora não pode


e desaparece no botão apertado

some quando certamente falha

é certo que não aconteça


a vontade dorme nas ordens dadas

submissa a um gosto prévio

clichê ou se lá o quê


no cheio que fala

fala o que cala


ao menos houvesse

a ilusão

perda consciente

do que há perdido

nesses desvão


tá tudo bem

te vejo amanhã

e morre


ninguém socorre amor

que é mais correção

catártica da gramática


então fica assim

amor encontrado porque perdido


com isso lido

enquanto eu te amasse

a vida que amassa

deforma a forma

quebra de amor todo o sentido


cancela essa cela

e me encontra

quase vivo



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Pedro Moreira Nt

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