morro


 


existia ali um monte 

que foi devastado e derretido por tratores obedientes


ali era a parte mais alta da cidade

e se via dali o que não se podia ver em outra parte


subia o morro até a altura desejada

e seguia a voz de toda imensidade


aquele silencio de gelatina nos olhos

fulgor de morangos e amoras de sangue no ar


caía sobre mim todo o firmamento

estático movimento que me tomava


guardava os olhos na quietude

que partia com o que pensava


e o que ficava eram as cores

as formas desenhadas


mudava em mim todo olhar

em um creme de perfumes e rosas


não mais esse lugar

nem mais lar


sobre o túmulo da floresta

nasceu uma fábrica de cortar


arranca mãos

prega olhos duros sobre corpos mortos


se produz plástico

ou coisa assim


bonita de se ver

sem alturas


baixo das conveniencias

vantagens e aparências


pintada de branco

no deserto de tudo


assim por sorte

fico com isso mudo


amores revelados

coisas dos passados


e se morro ou se me deixo levar

tenho por onde ir morrinho

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Pedro Moreira Nt

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