foi aquele sábado enrolado nas pitangas
foi aquele sábado enrolado nas pitangas
o jardim quebrado de pétalas esvaziado
não podia assim
nem podia de outro jeito
ficamos derramados no costume
você quem foi
foi você
gente passa fingindo esquecer os buracos da cerca
vê aquilo?
a entrada arrumada e a calha quebrada
o vento ecoa a voz colocada de locutor de rádio
e me telefonam naquela hora
e me dizem quantas pretensões
e me acusam por não querer a coisa
fala para mim
diz que estou estonteado
que passei da linha
tenho culpa?
um grito de futebol atrapalha as distâncias
invade o comportamento como que um arrepio sem horizontes
vamos ao que sobrou
deitamos no gramado estragado
o pano de cetim
ridículo jogado assim
café e torradas
geléia e bolo de chocolates
vai buscar xícaras
diz de um jeito sem comprometimento
voz de férias com correntes no trabalho
desliga isso
podia um balanço ali se não fossem olhos detrás das cortinas
mexendo acetonas
curvando garras
acertando tintas
passamos as horas sem música
amanhã será domingo
ouvirei prantos de sinos
pensei em cantos e desatinos
farei besteira logo agora
estarei fora da cama cedo
andarei de um lado a outro
chulo com tudo
contudo mulo
vamos à feira
passar distante
coisas suadas à mão
doce de espirros e tosse
embutidos selados à língua
verduras e frutas manchadas de carbureto
carne com bicabornato
antes das cinco as promessas do dia seguinte
compraremos flores
diremos que se trata de amores
me passe o café
vai querer açúcar?
puro e escuro como daqui a pouco
o açoite da noite fria
Pedro Moreira Nt
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