sob a mesa
entende mal
porque é o mau
que te faz
crente que seja
amigo do inimigo
que nisso
de amizade seja um bem
que estará protegido
que deixará repentinamente
de ser a estupidez
para sentar-se à mesa
dos que te usam
Acordará de manhã
entidade sensível
boa
por causa da vaidade
de não engolir as suas faltas
Elas todas engasgadas na garganta
de onde faz essa voz rouca
de ser sábio
de quem desperta
de uma alucinação
de estar investido
de valores que não possui
de que veste a carranca dos ricos
de maneirismo professoral
de novos costumes no uso do gibão
É tão fuca
de história de ser wagen
de cópia de designer
de tê-lo outra vez
em higienópolis
reeditado
agora diminuto
com motor elétrico
formas francesas
mas é o mesmo
serve para nada
serve para o servo
serve ao que gosta
serve como um servil
de posses
E te vejo nas distâncias
zanzando sem onde pôr as mãos
rindo sem motivo
acompanhando os gestos dos que te dominam
Faz-se tanto do que não é
Faz-se pouco de louco
Faz-se criador do vazio
Faz-se completo no uniforme
Face cortada à navalha
E quando não mais
quanto lhe sobrou
das sobras que come ao chão
Pensa ter alma
Pensa com um coração
Pensa existir
Pensa voar sobre o medo
Pensa nos que te chamam de infeliz
Pensa que se vinga na submissão
Como carretéis sem linhas
girando à toa
tece a sua fantasia
Rasteja nos coquetéis

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