poluição II
saudade da poluição
a gente andava
gibeira na mão
bocó aberto
distribuindo ti-lim
se serrava de tudo
cheirando catapenga
dando costa à malvadeza
comendo rosta
coisa dizeno
benzeno
balangano
nus no rio
que rio se era
agora de pouco
se fica louco
vai ao aliciante
preço novo
e se paga aquele zóio de ovo
mais deixa lá
tá marcado esse mercado
entra no exemplo
beija o sujo
banco que faz templo
assina a vacina
contra catapora
rasgando ferida
pó pa tapa taio
viveno
no bafo do otro
veneno
vendeno
o que nem tendo
carepa lambendo
depois vem esse
que ninguém vê
nem fala
o que cala
é o que dá bala
tudo uniformizado que nem tripa
aqui é linguiça
essa trouxa que enguiça
um diz
outro segue no triz
um monte junto unido e grudado
esse baixa-cabeça armado
daí passa
faz que manda fora
Pedro Moreira Nt

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