E me abraça

 




Você diz para eu parar

Não ficar triste

nem me arremessar contra o mal

Não olhar para trás

ou correr para frente

Andar pela cidade sem ser morto

sem que me tirem o último direito

Pede para esquecer da certeza absoluta

Baforar nuvens

Engolir quente o escuro da noite

Tocar piano mesmo que me quebrem os braços

Aceitar docemente o frio das ironias

Beijar as descrenças

Doar pobres alentos

E me abraça quando sou espinho,

quando demoram os pensamentos

Para eu dormir nos desentendimentos

esquecer que sou gente

Faço isso,

medito que não sou visto

me conto que não existo

porque sou todo amado

Corrida no ar

 

 

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