A sepultura de cada passo
A sepultura de cada passo
Marca essa hora
cortes de dentro
e de fora.
Vive cada ausência desenfreada.
Fala, abraça, se apresenta
Presente, e a tudo enfada.
Faz mágica
conta como foi
Sem vida, sorri alegre
O cheiro nauseabundo
carrega a si, o defunto
com a força íngreme de mortas palavras
Diz nada, contudo
aponta o desenho obscuro de sombras
tatuadas
verdades despedaçadas
Volta-se para os desconhecidos
rostos amanhecidos
ninguém crê que enterrado está
em todas encruzilhadas
tão viva morte
faz viver os desnorteados
almas torturadas
beijam a forma eterna
todos desfalecidos.
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