os que deixam minha casa
os que deixam minha casa
saem pés-de-pano
voltam de taco alto
caem do principio
voltam denada
giram ao entorno
partem como que chegassem
correm o mesmo lugar
os que deixam minha casa
pegam caminho os que ficam
pegadas no assoalho encerado
a face da madeira com poucas batidas
voltam da vida
ainda que mortos tão despertados
carregados de si nas lidas
seguem sem mais partir
pouco houve de tudo falado
pegam caminho os que ficam
lenta passagem à porta
passam para dentro de saída
condimento nas mãos
temperam velhos silencios
dizem do acaso da chegada
correm lentos à cozinha
acendem a fornalha
cantam despedidas
lenta passagem à porta
aproximam mais cedo
sentam à luz do abajur de alabastro
os que foram
rezam penitencias
estrelas marcadas no ceu
é a constante ida
nem se abana o véu
mãos destendidas
aproximam mais cedo
se diz que contam estrelas
inventam poeira nos cantos
correm a mão na almofada
ainda se amacia as palavras
bebem quente a frieza
dorme acordado na aragem
porque me importo da notícia
que a tarde rumoreja
entram na rua que segue
deixam esperanças no guardado
vozes de descanso
ouvem gritos despertos
erguem a sola no capaxo
descem a varanda
eram de tantas horas
socorrem o soluço
avizinham um cargo
entram na rua que segue
riem de besteira
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Pedro Moreira Nt

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